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Procedimento

Esfíncter Urinário Artificial Masculino

Tratamento mais eficaz da incontinência urinária pós-prostatectomia

Dispositivo hidráulico implantado que oferece controle ativo da continência, com sucesso em mais de 80% dos casos de incontinência moderada a grave.

Ilustração — Esfíncter Urinário Artificial Masculino
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

Depois de algumas cirurgias na próstata — principalmente a prostatectomia radical, feita para tratar o câncer —, alguns homens ficam com perda involuntária de urina. Quando essa perda é volumosa e persistente, ela pode ser incapacitante: o homem passa a viver em função de fraldas e absorventes, evitando sair de casa. Para esses casos moderados a graves, o esfíncter urinário artificial (AUS, da sigla em inglês) é o tratamento mais eficaz que existe: nas séries publicadas, entre cerca de 75 e 90% dos pacientes alcançam o chamado controle social da urina — no máximo um protetor por dia. O que ele é, na prática? Um dispositivo hidráulico totalmente interno — nada fica aparente — composto por três peças conectadas entre si: - Um manguito, uma espécie de braçadeira inflável que abraça a uretra (o canal da urina) e a mantém gentilmente fechada, fazendo o papel do músculo que a cirurgia da próstata enfraqueceu. - Uma bomba de controle, do tamanho de ser acionada com os dedos, posicionada dentro da bolsa escrotal. - Um reservatório de líquido, implantado no abdome. O funcionamento lembra o de um registro de água: em repouso, o manguito fica cheio e a uretra fechada — sem vazamentos. Quando você quer urinar, aperta a bomba no escroto; o líquido sai do manguito, a uretra abre e a urina flui. Alguns minutos depois, o sistema se reativa sozinho e volta a fechar. É você quem manda na micção de novo.

Quando é indicado

Incontinência urinária pós-prostatectomia radical (moderada a grave)
Lesões esfincterianas por trauma ou cirurgias pélvicas
Fracasso de tratamentos conservadores (fisioterapia, dispositivos compressivos)
Pacientes sem contra-indicação para uso de dispositivo implantável

Como é realizado

A cirurgia é feita sob anestesia geral. São necessárias incisões pequenas: uma no períneo (a região entre a bolsa escrotal e o ânus) ou na transição entre o pênis e o escroto, e outra pequena no abdome. Por esses acessos, cada peça vai para o seu lugar: o manguito é posicionado ao redor da uretra bulbar (o trecho do canal da urina que passa pelo períneo), a bomba é acomodada dentro da bolsa escrotal e o reservatório é implantado no abdome. As três peças são então conectadas por tubos finos, formando um sistema fechado — o líquido apenas circula entre elas, sem contato com a urina. Um detalhe importante que surpreende muitos pacientes: o dispositivo não começa a funcionar logo após a cirurgia. Ele é deixado desativado por aproximadamente 6 semanas, de propósito, para que os tecidos cicatrizem tranquilamente ao redor das peças. Só depois, em uma consulta ambulatorial simples — sem nova cirurgia —, o sistema é ativado.

Vantagens

Controle efetivo da perda urinária em mais de 80% dos casos
Restauração significativa da qualidade de vida
Solução duradoura para incontinência grave
Dispositivo totalmente interno
Baixa taxa de complicações em equipe experiente

Recuperação

A recuperação tem um ritmo próprio, e entender isso evita frustração: nas primeiras semanas, o esfíncter ainda está desativado, então a perda de urina continua como antes. Isso é esperado e faz parte do plano — o corpo precisa desse tempo para cicatrizar ao redor do dispositivo. Por volta de 6 semanas após a cirurgia, o sistema é ativado em consulta. Nesse momento, você recebe instrução detalhada sobre como usar a bomba: onde ela fica, como apertar, o que esperar. A bomba foi projetada para ser simples e intuitiva, e com pouco tempo de uso o gesto se torna automático — como destrancar uma porta. Depois disso, o acompanhamento continua: consultas regulares com o urologista para verificar o funcionamento do dispositivo e fazer ajustes quando necessário.

Riscos e cuidados

As complicações são pouco frequentes quando a cirurgia é feita com técnica adequada, mas é importante conhecê-las: - Infecção do dispositivo: rara quando se usam técnica e antibióticos preventivos (profilaxia) adequados, mas é a complicação mais temida em qualquer implante. - Erosão uretral: rara — é quando o manguito, com o tempo, machuca a parede da uretra que ele abraça. - Disfunção mecânica: como todo equipamento, o sistema pode falhar. Nesses casos, é necessária uma cirurgia de revisão para trocar ou consertar componentes. Muitos dispositivos funcionam bem por 10 anos ou mais, mas é realista saber que uma revisão em algum momento da vida é comum — nas séries de referência, cerca de metade dos pacientes precisa de algum ajuste ou troca ao longo de 10 anos. - Retenção urinária transitória e hematoma escrotal: nos primeiros dias, pode haver dificuldade temporária para urinar ou um "roxo" na bolsa escrotal — ambos passageiros. - Radioterapia prévia: quem já fez radioterapia na pelve (situação comum após tratamento do câncer de próstata) tem risco maior de erosão e infecção do dispositivo. Isso não impede o implante, mas entra no planejamento e na conversa de consentimento. - Atrofia uretral progressiva: ao longo dos anos, o trecho de uretra sob o manguito pode afinar, reduzindo a eficácia do aperto. Quando isso acontece, pode ser necessário reposicionar o manguito em outro ponto.

Vídeos sobre o procedimento

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

É um sistema hidráulico fechado. Em repouso, o manguito comprime a uretra e mantém a continência. Quando o paciente quer urinar, ele pressiona a bomba no escroto: o líquido sai do manguito (que abre), permitindo a micção. O sistema se reativa automaticamente em alguns minutos.
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