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Procedimento

Correção de Hipospádia

Cirurgia reconstrutiva da uretra e do pênis em crianças

Reconstrução cirúrgica que reposiciona o meato uretral na ponta da glande, corrige curvatura peniana e restaura função e estética.

Ilustração — Correção de Hipospádia
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

A hipospádia é uma malformação de nascença em que o "furinho" por onde sai a urina (o meato uretral) não fica na ponta do pênis, e sim na face de baixo. É como se o cano da uretra tivesse ficado curto durante a formação do bebê e a saída abrisse antes do lugar certo. Pode vir acompanhada de curvatura do pênis e de um prepúcio incompleto, em formato de "capuchão" — com pele sobrando em cima e faltando embaixo. A cirurgia de correção reconstrói esse trajeto. Os objetivos são três: devolver a anatomia normal, garantir que o xixi saia em jato direcionado, por uma única abertura na ponta da glande, e — lá na frente — permitir função sexual normal na vida adulta. A hipospádia é classificada pela posição do furinho: distal (na glande ou logo abaixo dela — a forma mais comum), média (no meio do corpo do pênis) e proximal (perto do escroto ou do períneo — a forma mais complexa, que exige reconstrução maior).

Quando é indicado

Hipospádia distal (glande, coronal, subcoronal) — forma mais comum
Hipospádia média (ao longo do corpo do pênis)
Hipospádia proximal (escrotal ou perineal) — pode exigir múltiplas etapas

Como é realizado

A cirurgia é feita sob anestesia geral: a criança dorme, não sente nada e não guarda lembrança do procedimento. A janela ideal é entre 6 e 18 meses de vida, com preferência atual pela faixa de 6 a 12 meses — nessa fase, a anestesia já é comprovadamente segura, o trauma psicológico é menor e os resultados são melhores. A técnica depende de onde está o meato: - Casos distais (os mais comuns): tubulização da placa uretral (técnica de Snodgrass, ou TIP). O cirurgião aproveita o próprio tecido do canal da criança e o "fecha em tubo", prolongando a uretra até a ponta. - Casos proximais ou complexos: uso de retalhos ou enxertos de tecido (técnicas Onlay, Duckett ou enxerto de mucosa oral — um pequeno fragmento do revestimento interno da boca, que se adapta muito bem ao papel de uretra). - Casos muito complexos: correção em dois tempos, com duas cirurgias espaçadas — primeiro se prepara o terreno, depois se constrói o tubo. Se houver curvatura do pênis, ela é corrigida na mesma cirurgia. Ao final, uma sondinha (cateter urinário) é deixada por alguns dias: ela funciona como um desvio temporário, para o xixi sair sem tocar na área reconstruída enquanto ela cicatriza.

Vantagens

Reconstrução anatômica e funcional do pênis
Jato urinário direcionado e única abertura na glande
Resultado estético satisfatório
Função sexual futura preservada
Alta taxa de sucesso em casos distais

Recuperação

A criança volta para casa com a sondinha, que fica por alguns dias protegendo a reconstrução. Ver o filho com um cateter assusta os pais, mas as crianças costumam se adaptar melhor do que se imagina. A dor é controlada com analgésicos, e antibióticos são usados conforme a prescrição. Em casa, os cuidados são locais: pomadas e higiene rigorosa da região, exatamente como a equipe orientar. Depois da cicatrização, o acompanhamento com o urologista pediátrico continua. É ele quem confere, nas consultas de retorno, se o jato urinário está bom e se a cicatrização evoluiu bem — e quem detecta cedo qualquer complicação, quando ainda é simples de resolver.

Riscos e cuidados

As complicações possíveis têm nomes difíceis, mas são conceitos simples: - Fístula uretrocutânea: um pequeno canal que se forma entre a uretra reconstruída e a pele, fazendo a urina escapar por um segundo furinho. É a complicação clássica dessa cirurgia e pode exigir um retoque cirúrgico. - Estenose do neomeato: estreitamento da nova abertura, que deixa o jato de xixi fino ou forçado. - Estenose da uretra reconstruída: um estreitamento ao longo do novo canal (não só na abertura). Também podem ocorrer uma dilatação localizada do canal (o divertículo) ou alguma curvatura residual. - Deiscência parcial da sutura: quando parte dos pontos se abre antes de a cicatrização completar. Nos casos mais severos, revisões cirúrgicas podem ser necessárias para ajustar o resultado — e aqui vale uma expectativa honesta com os pais: nas hipospádias proximais, as mais complexas, a chance de precisar de mais de uma cirurgia é alta, chegando a 30-50% nas séries mais recentes. A mensagem principal, porém, é tranquilizadora: a maioria dos pacientes alcança excelente resultado funcional e estético — especialmente nas hipospádias distais, que são as mais comuns.

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

Idealmente entre 6 e 18 meses de idade — quando o trauma psicológico é mínimo, a anatomia já está bem definida e a recuperação tende a ser mais rápida.
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