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Procedimento

Varicocelectomia Microcirúrgica

Correção da varicocele com preservação da artéria e dos linfáticos

Cirurgia para ligadura das veias dilatadas do escroto (varicocele), realizada com técnica microcirúrgica subinguinal. Indicada em casos de dor, atrofia testicular ou infertilidade.

Ilustração — Varicocelectomia Microcirúrgica
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

A varicocelectomia é a cirurgia que trata a varicocele — as "varizes do testículo". Assim como nas varizes das pernas, as veias que deveriam drenar o sangue do testículo ficam dilatadas e deixam o sangue refluir e se acumular. Esse sangue parado aquece e congestiona o testículo, o que pode causar dor, atrofia (redução do volume testicular) e prejuízo na produção de espermatozoides. O objetivo da cirurgia é simples de entender: fechar as veias doentes para interromper esse refluxo, devolvendo ao testículo a temperatura e a circulação adequadas. O sangue continua sendo drenado normalmente pelas veias saudáveis. Um ponto essencial: nem toda varicocele precisa ser operada. A indicação clássica combina varicocele palpável no exame físico com um motivo concreto — espermograma alterado num casal que busca gravidez, dor persistente ou redução do volume do testículo. Varicoceles descobertas apenas no ultrassom, sem sintomas e com espermograma normal, geralmente não têm indicação cirúrgica: apenas acompanhamento. A técnica considerada padrão-ouro é a varicocelectomia microcirúrgica subinguinal. "Subinguinal" indica o local do corte: uma pequena incisão na virilha. "Microcirúrgica" é o diferencial: o cirurgião trabalha com magnificação — lupa ou microscópio cirúrgico — que amplia as estruturas e permite enxergar cada vaso individualmente. Assim, todas as veias dilatadas são identificadas e ligadas uma a uma, enquanto a artéria testicular (que leva sangue ao testículo) e os vasos linfáticos são preservados. É essa precisão que reduz drasticamente a chance de a varicocele voltar e de complicações como a hidrocele.

Quando é indicado

Infertilidade com varicocele palpável e espermograma alterado
Dor ou desconforto escrotal persistente atribuído à varicocele
Atrofia (redução de volume) do testículo do lado acometido
Adolescentes com varicocele e retardo do crescimento testicular

Como é realizado

A cirurgia é feita sob anestesia — em muitos serviços, anestesia local com sedação; em outros, raquianestesia (que adormece da cintura para baixo) ou anestesia geral, conforme o caso. O acesso é uma incisão pequena, de 2 a 3 cm, na região subinguinal (a parte baixa da virilha). Por ela, o cirurgião expõe o cordão espermático — o "cabo" que leva vasos e o canal dos espermatozoides até o testículo — e, com a magnificação do microscópio ou da lupa, examina estrutura por estrutura. Cada veia dilatada é ligada individualmente; a artéria testicular, os vasos linfáticos e o ducto deferente (o canal que transporta os espermatozoides) são identificados e preservados. A operação dura em torno de 1 hora por lado, e na maioria dos casos a alta sai no mesmo dia.

Vantagens

Técnica com menor taxa de recidiva (1-2%)
Preservação da artéria testicular e dos linfáticos (menos hidrocele)
Procedimento ambulatorial com incisão pequena
Melhora do espermograma na maioria dos casos bem indicados
Retorno rápido às atividades habituais

Recuperação

A recuperação costuma ser tranquila e rápida: - Alta: no mesmo dia ou em até 24 horas. - Primeiros dias: desconforto leve na virilha, bem controlado com analgésicos comuns e bolsa de gelo no local. - Trabalho: atividades leves em 2 a 5 dias. - Atividade física e relações sexuais: liberadas após 2 a 4 semanas. Quando a cirurgia foi feita por infertilidade, é preciso paciência com o resultado: o espermograma de controle só é colhido a partir de 3 meses. Não é demora do tratamento — é biologia. O corpo leva cerca de 3 meses para completar um ciclo inteiro de produção de espermatozoides, então só depois desse prazo o exame reflete o efeito da cirurgia. E vale alinhar a expectativa com números reais: o espermograma melhora em cerca de 60 a 70% dos casos bem indicados, e a gravidez espontânea acontece em aproximadamente 30 a 40% dos casais no primeiro ano. A cirurgia aumenta as chances — mas não as garante.

Riscos e cuidados

Complicações são incomuns, e a própria escolha da técnica microcirúrgica existe para minimizá-las: - Hematoma: acúmulo de sangue na região operada, que costuma se resolver sozinho. - Infecção da ferida: como em qualquer cirurgia com incisão, tratável com cuidados locais e, se preciso, antibiótico. - Hidrocele: acúmulo de líquido ao redor do testículo. Acontece quando os vasos linfáticos são lesados — justamente o que a magnificação microcirúrgica permite evitar, ao identificá-los e preservá-los. - Recidiva da varicocele: a chance de as varizes voltarem, também reduzida ao mínimo pela ligadura individual de todas as veias doentes. - Lesão da artéria testicular: rara quando se opera com magnificação adequada, pois a artéria é visualizada e protegida durante todo o procedimento.

Vídeos sobre o procedimento

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

A produção de espermatozoides leva cerca de 3 meses para completar um ciclo. Por isso, o primeiro espermograma de controle é feito a partir do 3º mês, e a melhora máxima costuma ser avaliada entre 6 e 12 meses.
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