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Procedimento

Stent Duplo J (Cateter Ureteral)

Drenagem interna do trato urinário em obstruções

Cateter temporário colocado entre o rim e a bexiga para aliviar obstruções urinárias por cálculos, tumores ou estenoses.

Ilustração — Stent Duplo J (Cateter Ureteral)
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

O stent duplo J (também chamado cateter duplo J ou simplesmente JJ) é um tubinho fino e maleável que funciona como um "andaime" interno para o ureter — o canal que leva a urina do rim até a bexiga. Quando esse canal está entupido ou apertado (por uma pedra, um tumor comprimindo por fora ou um estreitamento), o duplo J mantém o caminho aberto e deixa a urina drenar por dentro do próprio corpo, sem bolsas nem tubos externos. O nome vem do formato: cada extremidade do cateter tem uma curvatura em "J". Uma dessas curvas fica ancorada no rim (na pelve renal, a área onde a urina se acumula antes de descer) e a outra dentro da bexiga — é assim que ele se mantém no lugar, sem pontos nem fixações. É um dos dispositivos mais usados em urologia. Serve para aliviar obstruções, proteger o ureter enquanto cicatriza após cirurgias ou facilitar outros procedimentos. Um ponto que precisa ficar claro desde o início: o duplo J é temporário. Ele deve ser removido em prazo determinado — geralmente entre 2 semanas e 3 meses, dependendo do motivo pelo qual foi colocado; em situações específicas, como certas obstruções por tumor, stents especiais podem permanecer mais tempo, sempre com prazo definido e trocas programadas pelo médico. Ficar com ele além do combinado traz problemas sérios.

Quando é indicado

Obstrução ureteral por cálculo, com dor refratária ou infecção
Hidronefrose por estenose ureteral
Drenagem temporária após cirurgias ureterais (pieloplastia, URSL)
Antes de litotripsia em cálculos volumosos
Compressão ureteral extrínseca (tumores, fibrose retroperitoneal)
Drenagem em casos de fístula ureteral

Como é realizado

A colocação é endoscópica — pelo caminho natural da urina, sem cortes — e feita sob sedação ou anestesia, então você não sente nada durante o procedimento. O médico introduz pela uretra um cistoscópio (um instrumento fino com câmera) até a bexiga. De lá, com auxílio de um fio-guia e acompanhando por raio-X em tempo real (fluoroscopia) ou por visão direta, o cateter é conduzido pelo ureter até o rim. Quando liberado, as duas extremidades assumem naturalmente sua curvatura em "J" — uma se acomoda no rim, a outra na bexiga — e o cateter fica fixo, mantendo o ureter aberto. A retirada é ainda mais simples: também endoscópica, geralmente ambulatorial e rápida.

Vantagens

Alivia rapidamente obstruções urinárias
Drenagem totalmente interna — sem bolsa externa
Procedimento rápido e ambulatorial
Pode ser mantido por semanas a meses, conforme a indicação
Permite cicatrização adequada após cirurgias ureterais

Recuperação

A volta à rotina é imediata: atividades habituais já no dia seguinte. O que muda é a convivência com o cateter. Enquanto o duplo J estiver no corpo, alguns incômodos são comuns e esperados: desconforto na bexiga, vontade frequente ou urgente de urinar, um pouco de sangue na urina (hematúria leve) e uma dor lombar no momento de urinar — essa dor acontece porque, ao esvaziar a bexiga, um pouco de urina reflui pelo cateter em direção ao rim. Nada disso significa que algo deu errado. Beber bastante água e usar os analgésicos orientados ajudam a atravessar esse período com mais conforto. E o compromisso mais importante da recuperação: a remoção é programada desde o início, conforme a indicação. Anote a data. O cateter não pode ser esquecido no corpo.

Riscos e cuidados

- Sintomas urinários irritativos: são a queixa mais frequente — urgência, idas repetidas ao banheiro, desconforto na bexiga. Para a maioria são toleráveis, mas vale ser franco: uma parcela relevante dos pacientes sente incômodo importante, e em alguns casos os sintomas chegam a justificar antecipar a retirada. Medicações de apoio ajudam a atravessar o período, e tudo desaparece quando o cateter sai. - Infecção urinária: o cateter é um corpo estranho e pode facilitar infecções, que são tratadas com antibiótico. Como o stent permite que um pouco de urina reflua da bexiga em direção ao rim, uma infecção não tratada pode subir e virar pielonefrite (infecção do rim) — por isso infecção urinária ativa deve ser tratada antes ou junto com a passagem do stent, e febre com o cateter no corpo merece avaliação rápida. - Dor lombar ao urinar: pelo refluxo de urina através do stent, como explicado acima. - Deslocamento do stent: o cateter pode sair da posição e precisar de reposicionamento. - Encrustação: com a permanência prolongada, sais da urina vão se depositando sobre o cateter, como o calcário que se forma num cano. Um cateter encrustado pode virar pedra, infectar e se tornar muito difícil de remover, exigindo procedimentos bem mais complexos. É por isso que respeitar o prazo de remoção combinado é inegociável. - Perfuração ureteral: rara. Em resumo: os incômodos do dia a dia são comuns e passageiros; o risco realmente sério é o esquecimento do cateter — e esse está 100% sob controle com a programação correta da retirada.

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

Sim. A urina passa normalmente pelo ureter para a bexiga, com o cateter atuando como suporte interno. Alguns pacientes têm urgência miccional ou leve dor lombar ao urinar (refluxo pelo stent), que tendem a ser bem toleráveis.
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